Todos temos um lado que poucos conhecem ou que muitas vezes só nós mesmos o conhecemos.

 

“… chega uma hora em que faz falta ter alguém para ligar no fim do dia, ter alguém para ir ao cinema, ganhar um beijo de bom dia, dormir abraçado, fazer coisas simples e bobocas como andar de mãos dadas em ziguezague pela rua.

Acho que hoje em dia existe um vazio grande. E algumas pessoas o preenchem com comida, drogas, bebida, sexo casual e compras. O ser humano, por mais que tente, nunca vai estar completamente satisfeito, sempre vai ficar faltando uma parte, um pedaço.”

“… Não guardo mágoa, rancor, nojo. Um sentimento guardado vai criando uma bola dentro do corpo. E ela vai aumentando com o tempo. Se torna dura, estranha, sombria. Essas coisas dão câncer. Ressentimento estraga a gente. O corpo e a alma. Tira o brilho dos olhos, dá um tom triste, acaba com tudo.

Existem jeitos e jeitos de dizer as coisas. Não dá pra abrir a boca e despejar palavras. Elas precisam se alinhar, uma tem que segurar a mão da outra, fazer um carinho, prestar atenção, conversar. Elas precisam dançar e sair da boca com leveza. Dizer tudo que pensa de uma forma agressiva não é motivo de orgulho. Acho, inclusive, vergonho. Sinceridade não é grosseria, muito menos falta de educação. Sinceridade é ser fiel ao que você sente e passar isso para o outro da melhor e mais bonita forma possível. Caso a emoção seja violenta, sinceridade é ser fiel ao que você sente e passar isso para o outro sem a intenção de magoar ou ferir. Sinceridade não é dizer o que pensa, mas cantar o que sente. Simples assim.”

Clarissa Corrêa

Que o banho quente seja revigorante.
Que o café me acorde.
Que tudo que eu vestir fique bonito em mim.
Que eu saiba respirar bem fundo quando a coisa ficar preta.
Que consiga apreciar o sol, o céu, o vento geladinho que bate no rosto ou o canto dos pássaros.
Que não me estresse no trânsito.
Que não perca a paciência com quem tem um jeito de fazer as coisas diferente do meu.
Que o barulho do colega ao lado não me tire o foco.
Que me sobre um tempinho para almoçar com calma.
Que as pessoas não me liguem só para contar problemas.
Que eu não tenha que me explicar.
Que minha sapatilha não faça bolha no pé.
Que eu não esqueça tudo que preciso fazer.
Que minha energia esteja boa.
Que a energia dos outros não me contagie.
Que eu consiga me proteger do que não me faz bem.
Que eu consiga distinguir o que é meu e o que é seu. E o que for seu que continue bem guardado com você.
Que eu não sinta nenhuma dor.
Que quem eu amo esteja bem.
Que eu não dê bola para as pequenices, pois o mundo é grande demais pra gente perder tempo com besteiras.
Que eu continue me tratando bem e me respeitando.
Que eu não passe por cima dos meus valores (nunca).
Que eu não perca a capacidade de aprender.
Que eu continue achando que sempre é possível melhorar.
Que eu nunca perca meu lado positivo de ver as coisas.
Que minha urgência pelas coisas nunca se vá.
Que eu continue, por muito tempo, respirando e sentindo aquela paz com sabor de caramelo.
Que eu controle meus nervos.
Que eu consiga dizer o que sinto.
Que eu entenda que não posso insistir no mesmo erro.
Que eu não perca esse lado bonito de acreditar de novo. E de novo. E de novo.
Que a gente não se perca.
Que você não sofra.
Que eu consiga encarar o mundo de frente.
Que eu nunca me envergonhe dos meus atos ou sentimentos.
Que eu consiga dar conta do dia. E de mim.
Amém.
 
- Clarissa Corrêa

E esse é o momento em que você se rende aos seus pesadelos por que sabe que pelo menos por enquanto, eles estão presos nos seus sonhos.

O que fazer quando se vê que o sentimento não é bastante?

Falar? Eu ainda prefiro o silêncio, meu silêncio. Ele, se um dia for jogado contra mim pelos outros como as palavras frequentemente são, apenas eu sei seu conteúdo e ele, não poderá me ferir mais do que o que o provocou.

É muito meu isso sabe? Sei que as vezes isso pode não ser bom e não fazer bem a mim nem ao outro, mas como evitar? É natural.
Não ligo para a hora nem o lugar, para o que faço ou deixo de fazer… Eu simplesmente paro tudo para ficar mais um minuto junto de quem amo, deixo de lado qualquer coisa que eu possa fazer e causar algum problema.
Não acho isso muito. Como eu disse, isso é muito meu sabe?  Sei que as vezes isso pode não ser bom e não fazer bem a mim nem ao outro, mas como evitar? É natural.

Você passa anos tentando se livrar de algo em você que te faz cair, ir o mais fundo que qualquer um pode chegar e então, quando você finalmente pensa ter se livrado de tudo por alguns meses, tudo volta com uma foça maior. Tudo que você pode fazer é tentar ficar de pé segurando sua máscara de pessoa forte enquanto todos ao seu redor fecham os olhos para não te ver.
Mais uma vez, você começa a viver um dos seus maiores pesadelos.

Você então passa a viver uma farsa. Dia após dia fingindo sorrisos, fingindo sonhos, desejos, simples vontades quando o real significado de todas essas coisas você já desconhece. Já não há mais vontade, já não há mais interesse por praticamente nada. 

É isso! Não adianta, está decidido. De hoje em diante, manterei a maior parte (se não tudo) daquilo que me incomoda e me faz mal apenas comigo mesmo principalmente quando for algo que você já sabe as consequências. Pode me dizer que é errado mas se eu não consigo deixar de me importar com algumas coisas e também não quero falar mais um “não” a você, não me sobram muitas opções.